29/07/2010 - Estudo prospectivo e randomizado do tratamento para cálculos de cálice inferior assintomáticos.
Yuruk E et al., J Urol 2010, 183:1424-1428.
RESUMO: Os autores avaliaram a história natural dos cálculos de cálice inferior (CCI) assintomáticos e estudaram 3 formas de abordagem urológica dos mesmos: vigilância( médico apenas observa com exames periódicos de imagem), litotripsia extracorpórea (popularmente conhecida como máquina de implosão a laser e abreviada pelos médicos por LEOC) e nefrolitotripsia percutânea ( cirurgia sob anestesia geral que compreende retirada de calculos renais apenas por um furo na pele e abreviada pelos médicos por NLP). Noventa e quatro pacientes foram estudados, com seguimento médio de 19,3 meses.

Os pacientes acompanhados tiveram aumento do cálculo em 77% das vezes e necessidade de intervenção em 18,7% dos casos, havendo eliminação espontânea do cálculo em 3,1% dos casos. A taxa livre de cálculos para pacientes submetidos à NLP e à LEOC foi, respectivamente, de 100% e de 54,8%. O DMSA de controle mostrou cicatrizes renais em 1 paciente (3,2%) do grupo NLP, 5 (16,1%) do grupo LEOC e nenhum dos pacientes sob vigilância.
Concluem que CCI assintomáticos tendem a crescer e, quando observados, produzem a eventos indesejáveis em mais de 20% dos casos. Além disso, verificaram que a NLP é mais efetiva que a LEOC no tratamento desses cálculos, causa menos cicatriz renal, porém acompanha-se de maior morbidade.
COMENTÁRIO EDITORIAL: O tratamento dos cálculos de cálice inferior continua a ser um tema controverso, devido as menores taxas de sucesso com o emprego da LEOC e da ureteroscopia flexível do que às observadas com cálculos em outras partes do rim. Este trabalho mostra que a LEOC, aparentemente inofensiva, pode causar cicatrizes renais sem oferecer um resultado eficiente.
São poucos os trabalhos de qualidade que avaliam os resultados do tratamento dos CCI.
Em trabalho multicêntrico conduzido por Pearle et al (Pearle MS e col., J Urol 2008;179 (5 Suppl): S69), não houve diferença significativa entre os resultados da LEOC e da ureteroscopia flexível para CCI. Por outro lado, em meta-análise feita por Isrisubar e col, (Cochrane Database Syst Rev. 2009 Oct 7;4) verificou-se maior eficiência de NLP sobre a LEOC e a ureteroscopia flexível para CCI.
Em conclusão a NLP certamente oferece melhores resultados no tratamento de cálculos renais, acompanhando-se, porém, de maior morbidade. O uso do ureteroscópio flexível também representa uma opção atraente, porém alguns aspectos devem ser melhorados: o uso correto do aparelho, levando a sua maior durabilidade; a diminuição do custo do aparelho e uma manutenção mais eficiente.
Fabio Vicentini, São Paulo, SP
Fonte
Uronews 2010 (adaptado pela Uroger)